Especialistas questionam aposta do governo em camisinha feminina; você usaria?

Oferta limitada, preço e estigma são barreiras para maior adesão à camisinha feminina

Cumprindo uma promessa de campanha da presidente Dilma Rousseff, o governo brasileiro comprou, em 2012, 20 milhões de camisinhas femininas para distribuição gratuita em postos de saúde de todo o país. Especialistas, no entanto, questionam a aposta e a estratégia do Ministério da Saúde para ampliar o uso desse preservativo no Brasil.

A aquisição do lote naquele ano fez do Brasil o maior comprador mundial do produto, seguido pela África do Sul. Apesar da posição de destaque do país no cenário internacional, a camisinha feminina ainda é amplamente ignorada como alternativa de proteção a homens e mulheres, segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil.

"Uma das maiores barreiras para a maior adesão ao produto sempre foi o preço, pois a camisinha feminina ainda é um insumo mais caro do que a masculina. Mas, após o governo ter conseguido uma brecha na lei e barateado o custo, deveria estimular o uso do preservativo de outras formas", afirmou à BBC Brasil Simone Martins, coordenadora de projetos da Semina, distribuidora brasileira da Female Health Company, empresa sediada nos Estados Unidos com a qual o governo negociou a compra do produto.A decisão do governo se baseou na avaliação de autoridades de saúde pública de que o preservativo deve ser incentivado por dar maior autonomia às mulheres no controle de natalidade e na proteção contra doenças sexualmente transmissíveis. Mas o avanço no uso da camisinha feminina ainda esbarra em uma série de obstáculos.

A Female Health Company fabrica a FC2, a segunda geração de camisinhas femininas feitas de borracha nitrílica, um material mais fino do que o látex. A empresa lidera as vendas mundiais para o setor público.

Após conseguir negociar diretamente com a fabricante por meio de um artifício jurídico, o governo reduziu o custo unitário de R$ 7 para R$ 1,36. O valor, no entanto, ainda é superior ao da camisinha masculina, que custa apenas R$ 0,07 aos cofres públicos.

Nas farmácias de todo o país, onde ambos os preservativos são vendidos, o preço também é diferente. Enquanto a camisinha masculina é encontrada por até R$ 3, a feminina não é achada por menos de R$ 7.

Outras barreiras incluem, segundo especialistas, a falta de uma campanha nacional estimulando o uso e o estigma enfrentado pelo produto.

Fonte: Luís Guilherme Barrucho
Da BBC Brasil em Londres

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